Apesar de algumas manifestações de apoio, fui criticado por ser muito radical no artigo Inversão de Valores. Para compensar, hoje falarei sobre um assunto mais ameno, menos polêmico, com o objetivo de agradar os críticos do meu discurso.
Nossa audiência ainda é pequena, apenas alguns acessos diários, mas aos poucos começamos a ver retorno de nossos “leitores”. Agradecemos àqueles que deixaram comentários, nos estimulando a continuar escrevendo durante esta espera angustiante pela próxima carta do consulado. Para comemorar o primeiro mês de vida de nosso blog, resolvi escrever um post sobre o que nos motiva a enfrentar esta mudança radical .
Mesmo insatisfeito com o rumo de nosso país, confesso que, apesar do antigo sonho de fugir, nunca consegui imaginá-lo concretizado. A imigração legal sempre me pareceu algo inatingível ( e a ilegal inaceitável) , e por este motivo, nunca alimentei qualquer esperança. Mesmo quando soubemos da deficiência de mão-de-obra no Canadá há pouco mais de um ano, mantive o meu ceticismo. A imagem que fazia era de um processo longo, burocrático, quase impossível para pessoas comuns como nós.
Com o tempo, vendo a empolgação da Iris e lendo mais sobre o processo, comecei a acreditar que era possível. Hoje em dia acredito estar tão empolgado quanto ela com a possibilidade de mudança. Com a “proximidade” do fim do processo, passo a maior parte do tempo sonhando com a nova vida, em um novo país, mas às vezes bate um medo imenso de ter o nosso processo recusado, e tento pensar como seria continuar nossa vida aqui, depois de um tombo desses. Torço para que esta parte fique apenas na imaginação, e que tenhamos nosso processo aprovado, mas acho importante ter um “plano B” preparado (preciso pesquisar sobre antidepressivos, hehe).
Às vezes lembro dos meus tempos de Exército, quando jurei defender a honra, integridade e instituições deste país com o sacrifício da própria vida, e fico imaginando quantos brasileiros seriam capazes de tal sacrifício. Nossos representantes só trabalham em benefício próprio, votam aumento do próprio salário, utilizam os cartões corporativos para despesas pessoais, fazem repasses bilionários para ONGs fantasmas… Já o povo recebe cada uma das armações de Brasília passivamente, aceitanto calado cada novo golpe.
Nos anos 80, com o fim da ditadura, houve uma corrida desesperada para acabar com tudo que lembrasse os militares, inclusive as coisas boas do regime (queridos críticos, acalmem-se, não quero criar nova polêmica, fui militar, mas não estou defendendo a ditadura). Antigamente, estudávamos OSPB (Organização Social e Política Brasileira), Educação Moral e Cívica, e isso era bom, passava às crianças valores morais, apresentava os símbolos nacionais às crianças e ensinava a respeitar cada um deles. Crianças em forma cantando o Hino Nacional de seu país, o que isso tem de ruim? Formávamos e cantávamos o hino a cada manhã, hoje quando muito uma vez por semana…
Não defendo o patriotismo cego, mas acho que todos devemos ter orgulho, amor por nosso país. É certo que há muita hipocrisia, como vemos em muitos americanos, mas há também amor verdadeiro. O brasileiro perdeu isso. Hoje não conheço uma criança que conheça o Hino da Proclamação da República, por exemplo, se conhecem o refrão “Liberdade! Abre as asas sobre nós!”, certamente ouviram em algum samba, e não na escola. O brasileiro está sendo estimulado a “emburrecer”, a perder os vínculos com o país, com seus símbolos…
No nosso caso esse estímulo nos ajudou a buscar um novo lar, um país que reconheça o trabalho de seus cidadãos, que estimule seu crescimento, que os ampare em vez de massacrá-los como temos sido. Usando uma metáfora para descrever o que tenho sentido, me sinto como uma criança que só apanha de seus pais biológicos na expectativa de ser adotado por pais carinhosos, que possam me acolher. Estou cansado de pagar 40% do que ganho em impostos e ver esse dinheiro no lixo. Quero viver bem, quero ver o dinheiro dos meus impostos sendo investido, revertido em coisas boas.
Me sinto um herói! Com a violência a que somos expostos diariamente, voltar pra casa é sempre uma conquista. A corrupção daqueles em que deveríamos confiar nossa segurança, assim como a daqueles a quem confiamos nosso país, os “representantes do povo”, só fazem aumentar a sensação de anarquia. Cada um por si! Cansei de emoções fortes. Chega de aventuras.
Só queremos viver tranqüilamente.
Até a próxima!