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Mais uma da justiça brasileira

Uma professora do Rio Grande do Sul terá que pagar multa de meio salário mínimo à justiça. Como não tinha condenações anteriores a promotoria sugeriu o pagamento da multa e arquivamento da ação. Seu “crime”? Ela fez um aluno pintar a pichação que havia feito nos muros da escola. A professora havia organizado um mutirão da comunidade para pintar o prédio e no dia seguinte a “vítima”, um vagabundo de 14 anos, resolveu pichar a parede recém pintada.

A escola estadual, como tantas outras, não tem a devida manutenção feita pelo Estado. Pais e professores, buscando um ambiente melhor, organizam um mutirão, pagam de seus bolsos, e pintam o prédio. No dia seguinte uma “criança” picha as paredes. A professora apenas fez com que o aluno responsável retocasse a pintura danificada. O que há de mal nisso? Nada, na minha humilde opinião, mas de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente o coitadinho foi exposto a vexame e constrangimento. PALHAÇADA! Com 14 anos já está mais do que na hora de assumir seus erros e repará-los. É um absurdo a professora ser condenada! O coitadinho do aluno infrator é automaticamente convertido em vítima porque tem menos de 18 anos… E a coitada, que passou seu dia de folga fazendo um trabalho que nem obrigação sua era, é penalizada.

Ainda bem que no meu tempo de adolescente não tinha essa demagogia de Direitos Humanos, Estatuto da Criança, etc. Bons tempos de castigos e palmadas. Hoje em dia castigo é humilhação, palmada no filho é espancamento. Como é que essas crianças crescem?? Ai Ai Ai! Não pode! Vou chamar o bicho papão! Porra, um moleque de 14 anos tem que entrar é na porrada pra aprender. Tem que levar castigo! E não ser beneficiado por uma lei sem sentido. E essa professora provavelmente vai ter que sair da escola, porque o infrator agora aprendeu o “nobre” valor da impunidade e agora passará a provocar a professora, que por sua vez sentiu no bolso e vai pensar duas vezes antes revidar. Ela será humilhada e não reagirá, mas como já passou dos 18 anos o problema é dela… O Estatuto é pra proteger crianças inocentes que não sabem o que fazem.

Que orgulho.

Abraço.

Cambistas

Hoje estava lendo os jornais do Rio e vi que já tem gente na fila pra comprar ingressos para o jogo do Flamengo 3 dias antes do início das vendas. Será que são trabalhadores? Será que são pessoas que estão passando suas férias acampadas na fila? É óbvio que não! Quem está lá é um monte de vagabundo que não tem o que fazer e vai pra lá comprar ingresso pra depois revender por 5 vezes o preço original! É uma vergonha que um cidadão, trabalhador, não possa se divertir sem ser extorquido. Isso é caso de polícia! Por que a polícia não faz nada? Porque eles levam sua parte do lucro por fazer vista grossa! Por que então a federação e os clubes não fazem nada? Porque eles também levam sua parte, afinal o coitado que não tem sua semana livre pra ficar na fila vai ser obrigado a pagar pelo Pay per View se quiser ver o jogo ao vivo, e parte do dinheiro chega aos clubes e federação.

Quer vender antecipado, que comece a vender no sábado, quando todos, em igualdade de condições podem ir para a fila. Formou fila na segunda-feira pra venda que começa no sábado? Porrada, prende por vadiagem, faz o quiser, afinal, um cara parado sem fazer nada, encostado em uma parede é postura suspeita… Se tem mais de um ainda pode enquadrar como formação de quadrilha. Tem que colocar todo mundo pra correr!

Antes de sair do Brasil deixei de ir a muito jogo por não conseguir comprar ingresso. É um absurdo começarem venda de ingressos num dia útil às 11 da manhã. Ao final do dia, quando o trabalhador termina seu expediente, os ingressos já estão esgotados e ele tem que se contentar em ouvir seu time pelo rádio ou pagar pelo Pay per view.

Sempre venderam ingressos no dia do jogo e não me lembro de ser mais ou menos tumultuado por isso. Mesmo em jogos de grande procura a coisa funcionava. Comprava de cambista quem tinha preguiça de entrar na fila. Por mais que fosse necessário chegar ao estádio 3, 4 horas antes do horário do jogo, isso é melhor que perder um dia de trabalho na fila. A verdade é que não era grande sacrifício chegar mais cedo. Tínhamos a edição especial do Jornal dos Sports, falando sobre a história do clássico, estatísticas. Tínhamos os jogos preliminares. O tempo passava voando e quando víamos já era hora do jogo.

É um absurdo ser obrigado a pagar R$200 na mão de um cambista por um ingresso que custa R$40. Esse é o preço que pagamos por não sermos vagabundos? Por não termos o dia pra ficar à toa como esses marginais? Como sempre a inversão de valores… vagabundo beneficiado e os honestos sofrem…

O cidadão de bem está cada vez mais prisioneiro dessa sociedade corrupta. Ele se diverte cada vez menos. Não pode fazer o que gosta, não pode ter o quer, tem medo de tudo…

Polícia

Após seis meses de ausência o Grumpy está de volta!

Como é sabido, minha indignação com as notícias sempre foi a inspiração para os posts, porém desde que cheguei ao Canadá tenho menos motivos para ficar irritado e acabei parando de escrever por um tempo.

É claro que não estou alienado, continuo acompanhando as notícias do Brasil, mas a perspectiva mudou, não vejo mais as notícias como parte delas, como parte atingida, e talvez por isso não me sinta tão afetado. Sinto por meus amigos e minha família, mas nada que desperte a ira do Grumpy.

Moro em Toronto e trabalho a cerca de 45km de casa em uma cidade chamada Brampton. São quase 100km de estrada todos os dias e uma coisa que me fascina são os carros de polícia que fazem o patrulhamento da estrada. Além dos carros de polícia comuns que em geral ficam nos acostamentos existem alguns carros “camuflados” que circulam entre os carros. São carros pretos com todos os dizeres em cinza ou brancos com os dizeres em cinza. Cores que não contrastam e que portanto só é possível perceber que há algo escrito quando eles já estão passando ao lado. São carros sem sirenes no teto e que parecem carros comuns.

Sábado recebi um e-mail com um novo carro, um carro de polícia disfarçado de taxi. Achei o máximo e resolvi pesquisar sobre o assunto. Imensa foi minha decepção ao saber que o programa já havia sido descontinuado pois alguns cidadãos começaram a reclamar que isso dava à polícia uma vantagem injusta!!! Desde quando tem que ser justo?? Se a preocupação fosse falsa blitz como acontece no Brasil, não saber se é polícia ou bandido eu até entenderia, mas reclamar de injustiça?

Meu entendimento é que as leis devem ser respeitadas independente de fiscalização. Se essas pessoas se sentiram incomodadas é porque não cumprem a lei por princípios, só o fazem por medo da polícia (diga-se medo de pagar a multa). Um motorista que trafega a 130km/h em uma rodovia com limite de 100km/h e reduz ao ver um carro da polícia é um infrator. Ele pode ter passado pela câmera dentro da velocidade permitida, mas isso não o isenta de culpa, e é por este motivo que criaram os carros disfarçados, para pegar aqueles que só cumprem a lei sob supervisão.

Veria motivo para indignação se fosse parado por um policial que quisesse me multar por algo que não fiz, só para me oferecer uma contrapartida mais barata, como um choppinho, que seria “melhor” para todos (Ah que saudade do Brasil…). Por outro lado, se estou excedendo o limite de velocidade, pouco importa se é um carro da polícia ou um Fusca rosa, a multa é merecida! Só me resta pagar.

É como aquela lei brasileira, absurda diga-se de passagem, que prevê que uma placa deve ser afixada informando haver fiscalização eletrônica de velocidade à frente. Traduzindo: “Atenção motoristas acima do limite de velocidade, favor reduzir sua velocidade para o limite previsto pelos próximos 2km sob pena de multa. Após a câmera de fiscalização está liberado!” Só fica faltando um “Pedimos desculpas pelo inconveniente.”.

É absurdo a lei prever um aviso! O motorista deveria andar 100% do tempo dentro do limite, e desta forma a câmera seria indiferente. Caso contrário seria multado. Os carros da polícia daqui seguem a mesma lógica, se eu faço o certo por que me incomodar? Alguns questionam que o correto seria educar e não colocar carros disfarçados. Eu pergunto, não seria essa uma forma de educar? Tudo bem, estão educando pelo medo, o medo de que qualquer dos carros a sua volta pode ser da polícia, mas ao menos estão fazendo com que os motoristas respeitem a lei. Com o tempo não haverá motivo para medo, já que aprenderam a respeitar a lei…

O Grumpy está de volta! Prometo escrever em breve!

Abraço!

Maracanã

Hoje fui ao Maracanã assistir ao jogo do Flamengo. Precisava visitar o templo antes de partir! Logo na chegada, me deparo com uma das coisas que mais me irritam por aqui e, conseqüentemente, uma das que mais me deixam feliz por estar indo embora: flanelinhas! Que raça nojenta! Bando de sanguessugas se jogando na frente do carro e querendo te extorquir, querendo que você banque a cachaça ou o ingresso deles (ou os dois). Estacionei e logo veio um vagabundo pra “tomar conta” do meu carro. Como já fico com raiva só de olhar pra flanelinha, no que ele pediu um trocado eu já falei que tinha que sacar dinheiro ainda, que pagava na volta. O vagabundo safado que iria embora 1 minuto depois de mim e queria que eu pagasse por um serviço que não existe e não seria prestado, ainda reclamou, ficou resmungando. Para aliviar a vontade quase incontrolável que tive de dar uma paulada nele, resolvi dar as costas e deixá-lo falando sozinho.

Há muitos anos só vou de arquibancada, mas hoje ao chegar ao estádio para comprar ingresso, a fila para comprar arquibancada estava gigantesca e a fila das cadeiras azuis vazia. Claro que a animação não é a mesma, mas durante boa parte de minha infância fui de cadeiras e nunca tive problemas, sempre assisti tranqüilamente aos jogos, então resolvi encarar as cadeiras azuis.

Logo que entramos tive o prazer de ouvir uma versão da Sandra de Sá do Hino Nacional, ao vivo, com direito até a paradinha, pra dar um estilo ao Hino… Que orgulho! Depois do “show”, começa o jogo. Que decepção! Quanta falta de educação! Tudo bem, muitos vão dizer que educação e torcida do Flamengo são duas coisas que não se misturam. Vou me explicar melhor, a torcida sempre foi mal educada (não só a do Flamengo, é bom salientar), mas está piorando! Em alguns momentos eu não conseguia ver o campo. O problema é que acabaram com a Geral, e agora toda aquela mulambada da Geral passou a ir de Cadeira Azul, que é mais barata. Acontece que eles ainda não são civilizados o suficiente pra entender que aquela coisa azul atrás deles é pra sentar.

Tudo bem, como disse uma menina (mais macho que eu) que estava atrás de mim “quer ver jogo sentado, vê em casa pela televisão”. Concordo. Assistamos de pé, então! Tudo é festa! Tudo correu bem no primeiro tempo. No segundo tempo não sei o que aconteceu, aquele bando que ainda não estava satisfeito por assistir ao jogo de pé, resolveu assistir ao jogo de pé SOBRE as cadeiras!!! Daí em diante acabou o jogo. Não dava mais pra ver o campo! Uma vergonha! Meu pai desistiu de tentar e foi lá pra trás, já em direção à saída. Eu insisti, não conseguia me conformar com a situação ridícula. Assisti ao jogo pendurado em uma grade, para conseguir ver por cima das cabeças. Me senti naqueles estádios de interior em que o povo sobe na árvore pra assistir ao jogo. A diferença é que mesmo “empoleirado” eu tenho que pagar, não tem jeito. Acho que hoje, pela primeira vez, saí do Maracanã irritado, mesmo com a vitória.

E ainda querem que as olimpíadas sejam aqui! Sou contra a realização de qualquer evento aqui, primeiro porque a herança deixada fica muito aquém do dinheiro gasto, já que além das obras o dinheiro ainda tem que ser suficiente pra sustentar um bando de marginais de terno. Segundo porque esse bando de índios não tem condição de ter nada! Tinham que estar enjaulados! Imaginem um gringo chegar no meio daquele bando e querer exigir seu lugar marcado. Imaginem o gringo que assiste futebol como assiste o torneio de Roland Garros, sentados, só batendo palmas, no meio daquela fauna. Ele só veria o teto. Não tem como funcionar!

A solução eu já dei aqui: que venha o dilúvio! Viva a Arca de Noé!

Só espero que não coloquem nenhum casal daquela espécie que estava assistindo ao jogo hoje.

Abraço,

Hino Nacional

No jornal O Dia de hoje li a notícia de que os alunos das escolas do município do Rio de Janeiro voltarão a cantar o Hino Nacional.

O artigo diz que o canto do Hino Nacional VOLTA A SER OBRIGATÓRIO em todas as escolas da rede municipal do Rio. Resolução da secretária municipal de Educação, Claudia Costin, determina ainda que o Hino seja cantado às segundas-feiras, no início de cada turno durante cerimônia de hasteamento das bandeiras do Brasil, do Estado do Rio e da cidade.

Segundo a ILUMINADA secretária, é preciso promover um novo tipo de educação cívica, que reforce nos alunos a idéia de cidadania e de inclusão na sociedade.

Já falei sobre isso mais de uma vez aqui, claro que essa não é a solução Tabajara para todos os problemas do Rio, mas um pouco de civismo não mata ninguém. Agora, tem que fazer a coisa séria, versão oficial do Hino, não adianta botar essas versões trash do Hino cantadas por Fafa de Belém e companhia, que criam suas próprias versões, fazem paradinhas, etc. Que faça paradinha nas músicas que ela canta, mas respeite o Hino Nacional Brasileiro.

Sei que sou suspeito pra falar, além de ter tido o privilégio de estudar as falecidas disciplinas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e Educação Moral e Cívica, Fui militar da ativa por 2 anos e o maior ensinamento dessa experiência militar foi amar e respeitar os símbolos nacionais.

Um grande exemplo de desrespeito é o (mau) uso de nossa Bandeira. A Bandeira do Brasil não é estampa! Apesar disso é mais fácil vê-la estampada num biquini que hasteada. Não sou nenhum patriota cego estilo americano, mas o respeito aos símbolos nacionais é o básico! Outro absurdo é O Hino da Proclamação da República (Se você não faz idéia de que Hino é esse, clique AQUI para visualizar a letra e baixar em MP3 ).

Hoje as pessoas escutam “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós” e pensam no samba-enredo da Imperatriz de 1989, justamente em homenagem ao centenário da Proclamação da República, mas raros os que pensam no Hino criado cem anos antes (isso considerando o melhor caso, quando conhecem!).

Quem foi o gênio que determinou que o Hino Nacional não fosse mais cantado? Certamente algum gênio que achava que civismo era coisa de militar e que, com o fim da ditadura e aquele desespero para se livrar das lembranças do regime, resolveu acabar com tudo que era relacionado, mesmo o que era bom!

Uma pena que as ultimas gerações tenham sido privadas das noções básicas de cidadania. Espero que a decisão da secretária municipal de educação traga bons frutos e que não pare por aí. Que voltem também as disciplinas supracitadas de grande valor para a formação do jovem.

Via Campesina

A Via Campesina Brasil é um grupo de baderneiros, formado por grupos de baderneiros menores (por exemplo o MST), que faz o que quer e sempre sai impune. Ontem mulheres do grupo fizeram algumas manifestações pelo Brasil. Destaco aqui a invasão ao Ministério da Agricultura em Brasília, e ao porto da Aracruz Celulose, no Espírito Santo.

A manifestação em Brasília foi considerada pacífica pelo ministro. Apenas algumas vidraças quebradas e um bando (que mal sabe o que está fazendo e que serve de marionete para fins políticos) sentado no saguão para almoçar.

Já no Espírito Santo, a manifestação “pacífica” ao porto da Aracruz Celulose incluiu baldes de tinta e CUPINS, com saldo de cerca de 2 mil toneladas de madeira danificadas!

Outras manifestações em São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul foram registradas, sempre seguindo o mesmo padrão: destruição e impunidade… Especialistas dizem ser muito difícil punir tais ações pois a entidade não existe legalmente e sem um CNPJ não tem como responsabilizar ninguém!!! Muito cômodo! Livres de impostos e impunidade garantida! Só não entendo uma coisa: pra receber dinheiro do governo também não é preciso de um CNPJ? Uma conta bancária? Sei lá, de repente o dinheiro entra na conta dos políticos que liberam as verbas e, depois de tirarem a parte deles, eles repassam uma parte em dinheiro pra fomentar a baderna…

Bom, voltando ao assunto… Então legalmente não podem atingir a instituição? Então pelo menos peguem os baderneiros! Ou será que eles também não têm CPF? É engraçado, o capataz que, ao tentar defender propriedade particular, baixa a porrada num baderneiro desses é prontamente punido, mas quantos capatazes não morrem na mesma situação? A Lei só vale pra um lado?

Elas levam crianças pra fazer de escudo, garantindo assim que ninguém terá coragem de atacar um grupo de mulheres e crianças na frente de tantos jornalistas. Mas esse é o tipo de coisa a que uma criança deveria ser exposta? Isso é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente? Mães perdem a guarda de filhos por menos. Não precisa bater em ninguém! Sem violência! Basta prender as baderneiras e levar as crianças para o Juizado da Infância e da Juventude.

Ah, deixa pra lá! Não sei porque ainda fico indignado com uma coisa que acontece todo dia… Como sempre a inversão de valores.

Crueldade

O Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, está se tornando a cada dia um lugar melhor para se viver. Após uma agradável viagem de uma hora e quarenta minutos sob sol quente e trânsito cada vez pior, resolvo ler os jornais ao chegar ao trabalho.

Costumo ler primeiro os jornais do Rio e depois os jornais canadenses, assim tenho a oportunidade de passar de um estado depressivo para um de agradável satisfação, sonhando com uma vida melhor…

No jornal O Globo de hoje, uma das principais notícias entitulada “Após ter carro roubado, casal é empurrado de paredão no Rio” fala sobre um casal assaltado na noite passada. Até aí qual a novidade? Dezenas de casais devem ter passado por essa “agradável” experiência só na noite de ontem. A diferença está no fato de que após terem sido rendidos na saída de um restaurante na zona sul, eles foram levados até a avenida Niemeyer, tiveram roubados seus pertences, foram agredidos a coronhadas, e pra fechar com chave de ouro a “noite dos sonhos” do casal, foram empurrados do abismo.

Está cada vez melhor!!! Não bastasse roubarem as coisas que você trabalha o mês inteiro pra comprar, te encherem de porrada, agora os caras querem brincar de fazer você voar também. Que divertido!

Mas podem ficar tranqüilos, nossos governantes certamente tomarão providências: logo aparece alguém com a idéia genial de colocar grades (ou um muro) na Niemeyer. Com certeza será mais fácil e barato que investir em segurança, além de poderem garantir que a empresa do irmão ou cunhado vença a licitação pra fazer a obra e assim ainda conseguem ganhar um dinheiro superfaturando a obra e tirando o seu por fora. Além disso, porque tentar acabar com a violência? Já estamos acostumados com ela mesmo, deixa como está!

Isso é Rio de Janeiro! Isso é o carioca, ou melhor, o brasileiro! É o povo que a cada dia nos surpreende e nos faz orgulhosos…

Cotas

Abro o jornal O Globo de hoje e leio a notícia “Rio cria cota de emprego para moradores de rua”. Concordo que muitas das pessoas que vivem nas ruas precisam ser ajudadas, mas entendo que cabe ao Governo ajudar. Mais uma vez o Governo busca a solução mais fácil e tenta transferir a responsabilidade para os empresários. Não bastasse a alta carga tributária, as empresas agora também tem que fazer o trabalho social que a prefeitura não tem competência (ou será interesse?) pra fazer.

Inventar mais uma cota é muito mais cômodo e barato que investir em educação, moradia, saneamento básico, etc. Além do mais, investimentos de longo prazo não trariam retorno ainda dentro do mandato, o que faz com que sejam inconcebíveis. Inconcebível é ver nossos governantes pensando apenas em políticas populistas sem se preocupar com uma solução efetiva só porque esta não traria frutos durante seu mandato.

Hoje temos cotas em empresas para deficientes e menores aprendizes. Em universidade tem pra todos os gostos: negros, pardos, escolas públicas, índios!! Até o índio, que muitas vezes é considerado inimputável pelas leis brasileiras ao cometer crimes, tem direito a vaga em universidade pública! Muitos são considerados incapazes de responder por crimes cometidos mas têm direito a protecionismo no acesso ao ensino superior. Se um indivíduo é incapaz de discernir o certo do errado que fique no mato, vai fazer o quê na universidade? Como sempre dois pesos e duas medidas, o que vale é agradar meia dúzia de eleitores pra garantir reeleição.

Vejam que não sou contra cotas, sou contra cotas absurdas! Considero louvável a cota de deficientes por exemplo. Muitos indivíduos competentes ficavam, e infelizmente ainda ficam, de fora do mercado de trabalho por deficiências que nenhuma relação têm com o desempenho de suas funções, por pura desinformação ou preconceito dos empregadores. Mas esse tipo de cota descabida pra agradar os defensores dos direitos humanos não dá pra aceitar.

Choque de Ordem (Parte 2)

Li MAIS um artigo escrito por um leitor do jornal O Globo criticando o choque de ordem, desta vez no Flamengo, alegando que a prefeitura não leva em conta o lado social…

O autor se prende ao fato de que os policiais recolhem as mercadorias vendidas pelos ambulantes nas calçadas do bairro e que não levam em conta as necessidades e possibilidades de sobrevivência digna dos que habitam o espaço público, muitas vezes por falta de outras opções.

O que ele esperava? Que os policiais sentassem ao lado de cada vendedor pra ouvir sua história triste de vida para só então avaliar se deveriam recolher a mercadoria??? Não cabe ao policial que está ali cumprindo a lei avaliar. Ele foi mandado para recolher mercadorias ilegais e é o que ele faz…

Ao defender o “lado social” dos ambulantes o autor se esquece do comerciante que sofre com impostos altíssimos pra manter seus negócios funcionando e muitas vezes tem um ambulante em sua porta vendendo o mesmo produto mais barato, já que é livre de impostos, e de procedência duvidosa… E quanto ao “lado social” do funcionário do comerciante que perde seu emprego quando o patrão vê suas vendas caírem devido à concorrência desleal?

Este tipo de comércio é ilegal, quem vive dele sabe disso e deve arcar com as conseqüências. Alegar que o choque de ordem eh negativo porque não dá aos ambulantes opções, é o mesmo que dizer que não se pode prender um assaltante porque ele não teve oportunidades.

Não há dúvida de que precisamos de melhores serviços públicos, investimentos em saúde, educação, mas não devemos misturar os assuntos e condenar o que está correto e dentro da lei.

Valores

Eu tento, mas não consigo me convencer de que o errado sou eu… Muitos me consideram radical, e talvez eu seja mesmo. Mas mesmo que deixasse de expressar minhas opiniões aqui elas não mudariam.

As pessoas estão cada vez mais bitoladas com esse papo de preconceito, racismo, discriminação… É óbvio que essas coisas infelizmente existem e muitos sofrem com isso, mas daí a classificar como preconceito qualquer coisa que aconteça já é bitolação demais.

Fui criticado no post sobre o menor da Saens Peña por ter chamado de vagabundo um morador de rua… Fica realmente difícil ter outra visão dessas pessoas quando você é frequentemente ameaçado/assaltado por tais pessoas. Os valores estão invertidos a tal ponto que chegou ao absurdo de após um amigo ter sido assaltado ele ainda ter que ouvir que estava tudo bem, não tinha problema, pois ele tinha como comprar outro celular  e o cara que roubou nao tem condição.

Eu duvido que essas pessoas que defendem esse “socialismo”, esse “compartilhamento de bens”, sejam desapegadas de bens materiais a ponto de abrir mão de seus celulares, carros, dinheiro em um assalto e ainda pensar que fizeram uma boa ação entregando tudo ao ladrão. Nunca! Ficariam tão revoltadas quanto qualquer outra pessoa.

É fácil demais defender a “divisão de bens” com os bens dos outros, como ontem, quando a polícia estava desocupando um imóvel invadido por moradores de rua e uma liminar os impediu. Todos tem direito à moradia? Sem dúvidas, concordo plenamente, mas daí a achar justo alguém invadir e se apossar de propriedade privada já é bem diferente. Ou será que o proprietário que investiu na compra ou construção de um imóvel não tem direitos. Será que quem invadiu tem mais direito que ele?

Podem criticar minhas opiniões, tentar me ofender através dos comentários, mas será preciso encontrar argumentos muito melhores que os apresentados pra me fazer mudar de opinião.

Choque de Ordem

A nova administração assumiu a prefeitura do Rio de Janeiro com um choque de ordem, tentando mostrar serviço desde a primeira semana de governo. Mas de todas as ações, a que gerou mais polêmica foi a separação do menor L. (porque vagabundo menor de idade não pode ter seu nome revelado) de sua cadela Pretinha.

Em uma das ações da prefeitura na praça Saens Peña, na Tijuca, moradores de rua foram recolhidos para abrigos municipais. Entre os recolhidos estava o menor L, que foi separado de sua cadela, o que causou a indignação de moradores da área. Dezenas de pessoas ligaram pra ouvidoria da prefeitura para denunciar tamanha maldade com o coitado do vagabundinho que foi separado de sua amiga.

A “comoção” foi tão grande que o secretário Rodrigo Betlhem, prometeu empenho para promover o reencontro da dupla. Resultado, em breve a vagabundada vai estar toda de volta!

Bom, tem gosto pra tudo nessa vida… Só posso acreditar que as pessoas que ligaram pra reclamar gostem do cheiro de fezes humanas e de serem assaltadas pelo bando de desocupados que fica por ali…

Se as pessoas ficaram tão sensibilizadas com o abandono da cadela por que não levaram o vira-latas pra casa? Se a prefeitura é omissa reclamam, se resolve trabalhar também reclamam… Assim fica difícil!

Independente do que a prefeitura faça (ou deixe de fazer) alguém será afetado. Então que o afetado não seja eu. Tendo que escolher entre o coração partido de um vagabundinho que poderia me assaltar e meus objetos pessoais, minha integridade ou da minha família, fica difícil ter dúvidas… Choque de ordem neles!!!

Meia Hora

logo_meiahora1 Muitas vezes fico preocupado de estar pegando pesado demais aqui no blog, exagerando nas minhas opiniões, falando dos coitadinhos dos bandidos como se não fossem humanos… Mas ao ler a manchete da primeira página do jornal Meia Hora de hoje fiquei mais tranqüilo. Uma forma bela e sutil de anunciar a morte de duas pessoas tão boas e que farão falta à sociedade…

Acabei de chegar em casa e estou atualizando o curriculum do Grumpy! Pela linha do jornal, acredito que tenho grande chance de conseguir uma vaguinha por lá.

Assalto

Estava eu na Kopenhagen da Av. Rio Branco ontem à tarde quando escutei gritos na rua. Saí pra olhar e vi dois homens puxando a bolsa de uma menina. Como ela resistiu bravamente e mesmo jogada ao chão não largou a bolsa, um dos dois fugiu atravessando a rua ao ver a aglomeração de pessoas, o segundo, mais insistente (e burro), resolveu continuar puxando a bolsa, e com essa decisão me proporcionou um dos melhores momentos do dia.

Alguns seguranças do edifício em frente seguraram o vagabundo e formaram uma roda, junto com alguns passantes, para uma “confraternização”: socos, chutes e aquele lindo som oco de porrada merecida na cabeça.

Apanhou, mas não o suficiente, graças à ação da guarda municipal que chegou para garantir os direitos humanos do vagabundo, afinal o coitadinho estava sendo covardemente agredido. A menina sendo agredida por dois ladrões não tem problema, ela não precisa dos direitos humanos, mas o vagabundo, esse sim merece a proteção da polícia.

Como não roubaram nada da menina até que valeu pelas porradas que ele levou. Poderia ter apanhado mais, nunca é suficiente se o vagabundo continua vivo e vai continuar assaltando, mas o saldo foi positivo: não roubou nada, apanhou e ainda garantiu minha volta pra casa com um sorriso de satisfação.

Silêncio (parte 2)

Hoje sou obrigado a dar o braço a torcer. No jornal O Globo de hoje há uma manchete sobre manifestações de entidades de Direitos Humanos, ONGs e políticos criticando a sentença do caso João Roberto.

Por mais que continue achando que não dará em nada, pelo menos desta vez eles se manifestaram. Finalmente a vítima teve direito a alguma manifestação! Será que essa nossa terra ainda tem salvação? Espero que sim, pois pretendo passar minhas férias no Rio. Bom, uma parte das férias talvez. Acho que uma semana por ano é suficiente pra matar a saudade da nossa querida terra da inversão de valores.

Silêncio

É triste a situação em algumas cidades de Santa Catarina e em Campos, Norte Fluminense. Só não entendo o que fazem as ONGs e entidades de Direitos Humanos nessas horas. Porque não fazem o mesmo estardalhaço que costumam fazer quando morre algum vagabundo, para pedir ajuda aos desabrigados?

Salvo algumas ações isoladas da Defesa Civil, Bombeiros e a iniciativa de alguns pequenos grupos, não se vê grandes campanhas ou manifestações. Por que os inocentes não merecem ajuda? Se qualquer vagabundinho tem direito a estardalhaço, por que famílias inocentes, que perderam tudo, não merecem?

Outro exemplo de silêncio das entidades de Direitos Humanos: ontem absolveram o policial que atirou e matou o menino João Roberto. Não acho que o policial deveria ser condenado por homicídio doloso, mas daí a ser absolvido, como se nada tivesse acontecido, já acho exagero… ele errou e deveria pagar pelo erro. Mas independente disso, alguém viu alguma manifestação? Provavelmente as manifestações ficarão restritas à família e amigos, que ficarão gritando sozinhos, clamando pela justiça que provavelmente não virá, tal qual aconteceu com a menina Gabriela, que morreu há alguns anos e que teve sua mãe bradando em vão por justiça até sua morte.

Triste realidade, na terra da inversão de valores.

Homenagem

Após as críticas recebidas pelo meu último post, decidi voltar ao tema central do blog: críticas, reclamações, violência, violência, violência, etc.  Não que eu não tenha reclamado ou criticado no post em questão, mas talvez por não ter sugerido nada de mais violento, ficando apenas nas críticas à lei, acabei ouvindo reclamações de que peguei muito leve…

Deixando para trás o tema polêmico, hoje recebi um e-mail com a frase extremamente poética abaixo:

“Cabe ao grande criador do universo perdoar os marginais por seus crimes…

… e cabe à Polícia promover esse encontro!”

Sei que tem sido difícil confiar na polícia com tanta corrupção. Muitas vezes não sabemos em quem confiar. Mas precisamos também reconhecer o trabalho de profissionais que, apesar de mal formados e mal remunerados, promovem com freqüência o citado encontro dos vagabundos com Deus. Não podemos julgar uma instituição que nos serve pelos atos de alguns militares que não têm caráter.

Por que fazer tal homenagem? Também não sei!! Acho que a frase realmente me inspirou.

Até a próxima.

O beijo

Já estou adiando esse post há um mês. O assunto é muito polêmico e é preciso muito tato pra tratar do tema, o que admito não ser o meu forte. Escrevo sobre o decreto municipal assinado em 11/11/2008 regulamentando a Lei 2.475, que desde 1996 proibia a discriminação a homossexuais no Rio de Janeiro.

Pra evitar entrar no mérito de certo/errado, feio/bonito, pró/contra, o que só geraria discussão e não levaria a nada, abordarei o assunto por um outro ângulo.

Primeiro, acredito que o respeito ao indivíduo deveria vir antes de qualquer outra coisa. Não importa qual é sua opção sexual. Existem leis, além da nossa Constituição, que pregam respeito e igualdade e isso deveria ser suficiente. Considero um desperdício de dinheiro público a criação de novas leis para o tema. Não vejo necessidade de uma lei pra especificar o tipo de respeito ou o tipo de igualdade. Por exemplo, se tenho uma lei que diz que não posso agredir uma pessoa, não preciso de uma segunda que diga que não posso agredir uma pessoa católica, e uma terceira para uma pessoa budista, etc. O mesmo vale para o respeito. Os políticos estão mais preocupados em ganhar votos que em pensar. A criação de leis em nosso país se dá exclusivamente pela quantidade de votos que elas podem gerar. Eles escrevem leis que já existem apenas pra trazer o assunto à tona e ficarem em evidência.

O segundo ponto é a banalização da justiça. Considero que existam lugares mais adequados para beijos calorosos que um restaurante, por exemplo. Não estou falando só de beijos homoafetivos. Os beijos hetero, exagerados, podem ser tão constrangedores quanto os homoafetivos em lugares públicos. O problema maior não é quem beija, mas como e onde. Sou contra qualquer tipo de manifestação de carinho exagerado em público. Por mais que queiramos demonstrar afeto, existem lugares e momentos certos pra isso. Devemos respeitar aqueles que estão em volta e podem se sentir incomodados com o gesto. Aí entra o problema da justiça. Existem pessoas que em vez de trabalhar querem ganhar dinheiro mole, entrando na justiça por qualquer coisa. Certamente casais mais “animadinhos” com a novidade promoverão beijos cinematográficos em tudo que é estabelecimento comercial na esperança de serem repreendidos pra poderem ganhar um trocado.

Leis para o reconhecimento de parceiros do mesmo sexo na previdência social, por exemplo, são mais do que justas, e merecidas. Se a lei prevê pensão para o cônjuge, não importa se são 2 homens, 2 mulheres ou um homem e uma mulher, a pensão é devida. Mas acho que esse tipo de lei caça-voto é uma vergonha e um desperdício do meu dinheiro.

Festa de Natal

No início do mês, estava eu no meu engarrafamento diário, depois de mais um dia de trabalho, quando vejo um “menor” assaltando umas meninas, ameaçando jogar uma pedra portuguesa arrancada da calçada caso elas não entregassem o que ele pedia.

Algumas pessoas que estavam no mesmo ônibus que eu alertaram um PM que estava do outro lado da rua, que atravessou a rua, agarrou o ladrãozinho pelo braço e arrastou pra um canto. Foi aquela festa no ônibus! Por alguns minutos até esquecemos que vivemos no país da impunidade…

Poucos minutos depois, ainda no mesmo ônibus (e no mesmo engarrafamento), vem o vagabundinho correndo e tentando alcançar o ônibus para mostrar que toda aquela festa que fizemos não deu em nada, que ele já estava solto e pronto pra continuar assaltando. Nosso Estatuto da Criança e do Adolescente mais uma vez garantiu a liberdade de um infrator.

Revoltado com a afronta, um passageiro (juro que não fui eu!) gritou para que o motorista abrisse a porta de trás, que ele ia descer e encher o vagabundinho de porrada. Eu, óbvio, dei a maior força pro justiceiro! Quando o motorista abriu a porta, uma senhora (chamemos de senhora, afinal temos que respeitar os mais velhos…) começa a gritar “deixa o menino!”.

Fiquei revoltado. Ela não se manifestou quando ele roubou o celular da menina, mas quando meu amigo justiceiro ia ter uma conversa com o “coitadinho” ela abre a boca. Sendo do conhecimento de todos minha opinião sobre extender os direitos humanos para quem não é humano, é óbvio que discuti com a “querida senhora”.

Passadas algumas semanas e quase esquecido o episódio, algumas pessoas do trabalho vêm recolher dinheiro pra fazer uma festa de natal para menores de rua. Automaticamente aquela cena voltou à mente. Fiz apenas 2 perguntas: O dinheiro que eu der pra festinha deles me garante proteção até o próximo natal? Ao final da festa vocês vão fazer uma fogueira com todos eles ou vão soltar na rua de novo? Disse que caso a fogueira fosse a opção eu desceria pra comprar um litro de gasolina pra contribuir. Diante de minhas perguntas, inexplicavelmente desistiram de pedir meu dinheiro.

Não bastasse os impostos que pago ainda tenho que contribuir pra festinha de natal? As pessoas se sentem culpadas por aquelas crianças estarem nas ruas. Não sou insensível, fico triste por existirem pessoas em tal situação, apenas não acho que seja minha culpa!

A justiça é cega

Há uns 20 dias publicaram uma notícia de que um “inocente” havia sido torturado por militares em um quartel do Exército. O pobre e indefeso menor de idade teve a genial idéia de pular o muro de um quartel do Exército Brasileiro, no meio da tarde, para fumar maconha com um amiguinho.

Capturado por militares, foi devidamente “escovado” pra deixar de ser burro e procurar outro lugar pra fumar…

À partir daí a história se repete: entidades de direitos humanos se pronunciam contra os abusos daquela instituição contra o coitadinho do menor, estudante e trabalhador (sempre é, nunca ouvi falar de vagabundo apanhando, só batem em estudante e trabalhador), que admitiu já ter pulado o muro da mesma unidade militar ao menos 3 vezes com o mesmo fim.

Não estou dizendo que os militares não exageraram, sem dúvidas porrada, choques e queimaduras foi exagero (deviam ter escolhido só um dos três métodos), mas o absurdo é que a familia do “coitadinho” entrou na justiça contra a União pedindo todas as indenizações possíveis, alegando que o sonho do marginalzinho era seguir carreira militar e que estava decepcionado e deprimido pelo que ocorreu, que agora está sem rumo na vida.

Admito que por 1 nanosegundo quase me sensibilizei, mas depois voltei à realidade… O que me revolta é que o cara ainda vai ganhar dinheiro nessa, não importa o que ele estava fazendo lá, se estava certo ou errado, o que importa é o que os homens maus de uniforme camuflado fizeram com o coitado do menor de idade.

A lei só favorece os marginais. Se ele tivesse matado um sentinela pra roubar o fuzil e fugido, não daria em nada, mas como a “vítima” foi o marginal, um circo é armado. Vergonha!

Até a próxima.

Direitos humanos

Inicio o novo artigo me desculpando pela ausência prolongada. Este blog é minha válvula de escape, e se não escrevo é sinal de que as coisas estão correndo bem, não tenho tido motivo pra me irritar. Infelizmente os períodos de paz não são eternos (para alegria de meus poucos leitores).

Confesso que tenho fugido das coisas que me irritam. Abri mão de assistir telejornal, dos jornais impressos dou apenas uma olhada rápida no caderno de economia, tudo isso tentando ser uma pessoa mais zen. tá bom… zen é impossível, mas um pouco menos estressada pelo menos.

Vou represando minha irritação, mas chega uma hora que preciso escrever. O que falar de Eloá? A mídia já torrou o saco com mais esse erro bisonho da polícia, dando IBOPE pra mais um vagabundo. Inaceitável! O cara atira nas duas meninas e sai inteiro? No mínimo tinha que ter tirado ele lá de dentro todo ensanguentado, tinha que ter enchido o vagabundo de porrada! Ou morto! Que palhaçada é essa de bala de borracha? Isso é recurso pra conter manifestação que foge do controle, contra bandido é chumbo!!! ou ele estava lá dentro com arma de brinquedo? Talvez tenham pensado no outro marginal, o do 174, que aliás, acaba de receber uma homenagem Post mortem, com filme que retrata sua vida pobre, de vítima da sociedade… Os políciais do 174 que fizeram o “serviço” foram punidos, e esses do caso Eloá podem ter ficado com medo de também sofrerem punições. Na dúvida, sacrifica a vítima… Mas o bandido, coitadinho, tem que sair inteiro! Mais um exemplo de lógica inversa! Tudo errado! Tudo ao contrário!

Onde foram parar as histórias em que o bandido se dá mal? O final feliz é do mocinho, não do bandido! A menina morreu e ele provavelmente vai arrumar um advogado qualquer, querendo aparecer, que vai aproveitar uma das milhares de falhas na legislação pra alegar insanidade, crime passional, ou qualquer outro recurso absurdo que nossa lei permite.

Vítima da sociedade sou eu! Vagabundo tem que ser tratado como vagabundo.

banditsMantenho minha sugestão de fazer abatedouros em vez de presídios… Sou a favor de moer todos eles e fazer ração. Além de reduzir as despesas do sistema prisional ainda vai ajudar a baratear o preço da ração que anda muito cara.

Bom, se for falar das coisas que me irritaram nesses quase 3 meses sem escrever, todas de uma vez, vou ocupar umas 800 linhas e vocês vão me abandonar no meio do texto. Então vou liberando minha irritação aos poucos. Até o final da semana escreverei mais alguns artigos pra compensar a longa ausência.

Um abraço,

Eleições

Essa época de eleições é sempre um período de conflito interno pra mim. Não só pela grande dificuldade em escolher o candidato menos pior, mas também pela dúvida se devo rir ou chorar ao ver as opções que tenho.

Ontem à noite assisti ao Horário Eleitoral e fiquei assustado com o nível dos candidatos. Não sei se está piorando ou se estou ficando mais crítico. Pessoas sem instrução, idéias mirabolantes, tudo muito assustador. Vi um candidado a vereador que tem como proposta colocar aparelhos de ressonância magnética nos postos de saúde! Será que esse indivíduo tem idéia do preço de um equipamento desses? será que ele faz idéia que nos postos de saúde da cidade faltam ataduras, esparadrapo, coisas que custam centavos… Em que mundo ele vive?? O mais triste é que se ele está lá é porque tem quem apóie e quem vote. Alienação total!

Mas pior ainda que os alienados são os verdadeiros bandidos que em vez de estarem presos estão concorrendo a um cargo público! Por falar nisso, não consigo acreditar em tantas contradições. Um gari precisa ter segundo grau mas para ser político e ser o meu representante no governo, basta saber rabiscar uma assinatura fazendo de conta que sabe escrever, já que ele vai poder ter 30 assessores, pagos com o meu dinheiro, que lerão e escreverão por ele. Um empregado de uma empresa pública que é demitido por justa causa não pode ser readmitido, mesmo que passe em novo concurso publico, mas um político cassado pode voltar no mandato seguinte.

Hoje fiquei assustado, o TRE divulgou que só no estado do Rio são 100 candidatos acusados ou já condenados por HOMICÍDIO!! Agora, o maior de todos os absurdos, se um trabalhador tem o nome no SPC ou SERASA ele tem dificuldade de arrumar um emprego formal. Porém nossos queridos candidatos, já acima da lei antes mesmo de assumirem seus cargos, não tem suas candidaturas impugnadas!

Esse é apenas mais um motivo pra eu sonhar com uma nova vida em outro país.

Um abraço.

Anarquia!

Após o último episódio de censura no nosso blog, cheguei a um acordo com a minha censora e decidi criar um novo, onde poderei escrever com mais liberdade sobre a vida real. O antigo, Le Rêve Canadien, retorna assim ao foco original, a imigração para o Canadá.

O compartilhamento do blog ficou difícil, pois havia um conflito de público alvo, a Iris escrevia para as meninas, que queriam ler coisas bonitinhas e alegres, e eu escrevia para os marmanjos, que queriam sangue, o que infelizmente, é a nossa realidade no Rio de Janeiro.

Com esta nova organização evitamos que eu assuste as meninas com os meus artigos e por conseqüência evito o esporro da Iris.

Um abraço.

Responsabilidade Social

Artigo original publicado em 29/07/2008

O que é responsabilidade social? O que a difere da caridade pura e simples? As duas coisas se confundem, e não só pelo povo mas também por boa parte das empresas que se dizem socialmente responsáveis e até mesmo pelo governo. A responsabilidade social está muito além da caridade. Tem gente que acha que dar esmola é responsabilidade social. Acha que já fez sua parte porque deu R$0,25 pro mendigo da esquina; outros acham que fazem a sua parte comprando bala da menininha descalça que vende no sinal de trânsito.

O que as pessoas não entendem (ou por comodidade, preferem não entender) é que comprando a bala estão alimentando um novo mercado de exploração de crianças. Se fizermos uma avaliação do entorno (depois de travar a porta e levantar o vidro, afinal estamos no Rio) veremos que tem sempre uma mãe sentada na sombra supervisionando o trabalho da prole. A função dela é a produção em série de filhos, com garantia de retorno no curto prazo. Os recém-nascidos ficam no colo da filha mais velha que vem bater no vidro, contar história triste e pedir dinheiro. Crescendo um pouco, e começando a andar, a criança é substituída pelo irmão, apenas 9 meses mais novo, no colo e passa a vender bala… A coordenação motora vai se desenvolvendo e em poucos anos começam a fazer malabarismo com bolas de tênis; um plano de carreira muito bem definido. Os malabaristas mais ambiciosos, já pensando na próxima “promoção”, quando vêm pedir dinheiro após o “show”, chegam com um olhar tão faminto nas bolsas e celulares que estão dentro do carro que dá até medo… A concentração no olhar é tanta que às vezes juro que tenho medo do celular levitar e sair pela janela pra mão dele. Seguindo com o plano de carreira, chega uma hora em que já não é mais “engraçadinho” um marmanjo fazendo malabarismo, aí ganham novas ferramentas de trabalho, o frasco de detergente e o rodinho e se tornam aqueles ”profissionais”, extremamente agradáveis, que independente de o seu vidro estar sujo ou limpo e de você querer ou não, jogam sabão no seu vidro e deitam no seu capô pra passar o rodinho depois. A visão de raio-x desenvolvida no estágio anterior somada ao desenvolvimento físico do vagabundo fazem com que você gele a cada sinal de trânsito e eventualmente perca um celular, carteira, bolsa e etc. Após estagiar no sinal vermelho por um tempo ele está pronto para o mercado de trabalho.

Não adianta achar que um ato isolado vai mudar o mundo, é necessário mudar de atitude ou continuaremos alimentando essa fábrica de vagabundos de sinal de trânsito. Não bastasse as esmolas dadas pelo povo, o governo investe pesadamente em programas sociais que na prática estimulam a mesma fábrica de filhos. Quando trabalhava no atendimento ao público, na Caixa Econômica, cansei de ouvir mães reclamando: “tenho 5 filhos e ganho R$60, ela que ’só’ tem 4 ganha R$70″. Estão vivendo de fazer filho! E o pior, recebendo por isso!

É uma afronta a minha inteligência o governo querer me convencer de que simplesmente pagando ao povo por filho parido o Brasil vai melhorar…

A Arca de Noé

Artigo original publicado em 09/06/2008

Hoje nos jornais aqui do Rio só se falava em milícia. Acredito que o tráfico de drogas por aqui seja coisa do passado, já está resolvido, pois há muito não escuto falar nisso. Agora a moda é falar dos milicianos… Policiais, bombeiros, justiceiros e afins que invadem as favelas, colocam quem manda pra fora e assumem a área. Antes que comecem a me apedrejar, não apoio as milícias, mas sinceramente não entendo por que tanto alarde. Ou melhor, finjo que não entendo, porque a explicação é óbvia: tem gente grande deixando de ganhar dinheiro. Pra mim não faz a menor diferença, saiu um bandido, entrou outro e eu continuo na loteria da bala perdida!

Os milicianos são mais bandidos que os vagabundos traficantes? Pra mim é tudo igual, mas o lucro deve ter caído, porque todo dia tem peixe grande abrindo a boca no jornal dizendo que a milícia tem que acabar. O engraçado é que depois que a milícia é expulsa, aliás, com eficiência de primeiro mundo, quem entra? O Exército? Não, voltam os traficantes que eram os antigos “proprietários” da área. A mobilização não é pra livrar o pobre, favelado, trabalhador que sofre na favela mas pra devolver o poder a quem dá lucro.

Diante disso eu começo a pensar: se quem manipula o jogo são os políticos, então troquemos os políticos!! Revolução! Renovem a Câmara, o Senado! Sangue novo! Sinceramente, acho que continuaria tudo igual… Porque os poucos que estão de fora e realmente querem mudança, são voto vencido, porque a maioria entra, não pensando em mudar, mas em levar o seu. O brasileiro gosta de levar vantagem. O cara entra pra política pensando em levar os “por fora”. Tem explicação um cara vender uma fazenda de R$ 2 milhões pra investir numa campanha pra vereador pra ganhar R$ 8 mil por mês. Seria preciso trabalhar 20 anos sem gastar nada só pra recuperar a fazenda (isso sem considerar a valorização do mercado imobiliário e a desvalorização da moeda). Um cara desses não pode estar bem intencionado.

Organizando as idéias, chego à conclusão de que para o Brasil progredir não precisamos de reforma da previdência, tributária, do judiciário… Nada disso adianta com o povo que está aí. Precisamos da Arca de Noé e do dilúvio! Selecionemos um casal, coloquemos numa Arca, alaguemos tudo e comecemos de novo! Recomeçar do zero é a solução! Não tem mais volta.

Àqueles que já não me aguentam mais, aviso que a Iris volta na quarta-feira. Em breve estarei mais calmo.

Até mais.

Saudade

Artigo original publicado em 07/06/2008

A cada dia que passa tenho mais certeza de que fizemos a escolha certa ao entrar no processo de imigração para o Canadá. O Rio está cada vez mais violento e eu só penso em fugir… Ontem fui ao centro da cidade resolver umas coisas e decidi almoçar com uns amigos. Após o almoço fomos até a Kopenhagen da rua Senador Dantas tomar um café. A rua estava tranqüila, mas segundos após entrarmos olhamos para fora e tinha um camburão, meia dúzia de policiais e um vagabundo sendo colocado na gaiola.

Não sei o que o vagabundo fez, mas boa coisa não foi… Fico impressionado como em questão de segundos as coisas mudam por aqui. Estamos o tempo todo a segundos de sermos assaltados, seqüestrados, premiados com uma bala perdida. Isso aqui tá emocionante demais pra mim. Quero tranqüilidade e segurança pra minha família.

Pra não ficarem dizendo que eu só vejo o lado bom de ir embora, esta semana estou tendo uma amostra do que passarei quando for para o Canadá. Eu e Iris decidimos que irei primeiro e assim que arrumar a minha vida ela vai se juntar a mim. Claro que os planos podem mudar, mas atualmente essa é a nossa idéia. Bom, isso não importa. O que quero dizer é que essa semana a Iris viajou e me largou sozinho aqui. Após dois dias já não aguento mais ficar sozinho. Está sendo uma tortura ficar sem ela. Diante dessa desagradável sensação comecei a me imaginar no Canadá, desempregado, sem família e sem a Iris… Estou com medo de surtar!

Sei que o objetivo do nosso grupo de futuros imigrantes aqui no Rio é o de criar uma rede de relacionamento para que não cheguemos ao Canadá totalmente perdidos, mas nunca pensei que precisaria tanto do apoio de vocês!

Quando tínhamos seis meses de namoro fui trabalhar na Alemanha; fiquei alguns meses por lá e a saudade era enorme. Esta semana, mais de sete anos depois dessa primeira experiência vejo que uma separação será muito mais difícil…

Bom, passei por aqui só pra desabafar e ocupar um pouquinho do meu tempo pra ver se o tempo passa mais rápido e a Iris volta logo.

Um abraço.

Noticiário

Artigo original publicado em 12/05/2008

Prometi a Iris que tentaria ser menos radical na hora de escrever, evitando que nossos poucos leitores assíduos fujam, mas eu não resisto. Comecei a escrever o post de aniversário e quando vi já precisava mudar o título, estava totalmente fora do contexto. Resolvi então postar o artigo de aniversário, bonitinho e comportado, para depois escrever um novo, digamos assim, mais animado.

Todas as manhãs tenho o costume de ler jornais mas confesso já estar pensando em uma mudança de hábitos… As notícias veiculadas diariamente fazem com que eu me sinta como se estivesse lendo ou assistindo o noticiário do dia anterior (alguém lembra do filme Feitiço do Tempo, em que o personagem de Bill Murray, jornalista do tempo, vai a uma cidade do interior cobrir um evento, festa da marmota, se não me engano, e percebe que os dias estão se repetindo, sempre que ele acorda no hotel é o mesmo dia da festa. É assim que eu me sinto). Todo dia temos o caso (sem fim) da menina Isabella e as dezenas de aproveitadores que insistem em continuar em cena para se promover, balas perdidas, dengue, latrocínios, fraudes… Nada muda!

Por falar em caso Isabella, por que as autoridades só são eficientes quando não há necessidade? Transferiram a “coitadinha” da madrasta porque ela corria risco de linxamento na cadeia em que estava… Só é salvo de linxamento quem tem que apanhar! Por exemplo, se houve um estupro, certamente na notícia você lerá que a polícia evitou o linxamento do elemento… Um monstro que faz uma coisa dessas tem mais é que ser linxado!

O destino do povo é sofrer mesmo. Para evitar o crime não há esforço das autoridades, mas na hora do povo ir às forras e encher o meliante de porrada a polícia evita.

Não aguento mais! Não me iludo, sei que não é só o Brasil que tem problemas. Certamente terei do que reclamar também no Canadá (ainda bem! O que seria do blog se eu não tivesse do que reclamar?), mas a situação aqui está beirando o insustentável. Tenho vontade de me esconder, me isolar, me tornar um alienado. Como já postei anteriormente, a exclusão digital tem suas vantagens…

Um abraço a todos. Até a próxima.

Exclusão Digital

Artigo original publicado em 26/03/2008

É impressionante como nos acostumamos rápido ao que é bom, às facilidades que aparecem em nossas vidas a cada dia e não nos damos conta do quanto seria duro perdê-las.

A internet, por exemplo. Perder o acesso à internet sempre me pareceu um castigo, um sofrimento. Mesmo tendo passado a maior parte de minha vida sem ela, era difícil pensar no meu dia longe da Web. Não conseguia me imaginar sem meu tour diário pelos blogs de casais que, assim como nós, estão tentando a imigração para o Canadá, sem acesso aos fóruns sobre imigração e mesmo sem consultar se alguém deixou comentários em nosso blog.

Como trabalho na área de TI, fica mais difícil ainda imaginar, já que passo pelo menos 8 horas do meu dia com a cara no computador. Trabalho em uma empresa que apóia a inclusão digital, freqüentemente aparece na mídia doando dinheiro, computadores ou criando linhas de crédito subsidiadas para aquisição de eletrônicos. No entanto, na contramão das iniciativas externas, internamente a política é exatamente oposta.

Desde junho de 2007 os funcionários, inclusive na área de TI, tiveram o acesso à internet restringido a sites .ORG e .GOV sob a alegação de que o tráfego na rede da empresa devido aos acessos à internet era muito alto e que tal restrição promoveria uma melhora no desempenho dos sistemas internos. A restrição não resultou em melhora no desempenho das aplicações, mostrando que o que sobrecarrega a rede são os sistemas corporativos e não o acesso à web. Mesmo após esta constatação a restrição foi mantida.

Após a implementação dessa nova política, apenas alguns felizardos tiveram seu acesso a internet mantidos, alguns por ocuparem cargos gerenciais, outros por trabalharem diretamente com web ou mesmo através do “jeitinho brasileiro”. Meu acesso é, ou melhor, era deste último tipo. Consegui, mesmo que extra-oficialmente, manter meu acesso até o início deste mês, quando meu “provedor de acesso” saiu de férias. Desde então sou um excluído digital, não vejo nada, não sei de nada…

Fazendo uma análise mais cuidadosa da situação, cheguei à conclusão de que a ignorância é maravilhosa. Sem pensar no nosso pedido de exames, meus dias ficaram mais curtos, consigo passar dias sem sofrer de ansiedade, sem pensar no Canadá e até mesmo sem abrir a caixa de correio (aqueles que já estão no processo sabem o quanto o carteiro se torna importante em nossas vidas).

Diante de tal constatação sugiro àqueles que nos acompanham e que, assim como nós, aguardam o pedido de exames médicos, que desliguem o computador, ou ao menos desconectem o computador da internet. Nossa parte já foi feita enviando nossa documentação, agora só nos cabe esperar pela próxima carta. Vivam o dia de hoje e verão que a espera ficará muito mais fácil.

Um abraço,

Por Que Mudar?

Artigo original publicado em 05/03/2008

Apesar de algumas manifestações de apoio, fui criticado por ser muito radical no artigo Inversão de Valores. Para compensar, hoje falarei sobre um assunto mais ameno, menos polêmico, com o objetivo de agradar os críticos do meu discurso.

Nossa audiência ainda é pequena, apenas alguns acessos diários, mas aos poucos começamos a ver retorno de nossos “leitores”. Agradecemos àqueles que deixaram comentários, nos estimulando a continuar escrevendo durante esta espera angustiante pela próxima carta do consulado. Para comemorar o primeiro mês de vida de nosso blog, resolvi escrever um post sobre o que nos motiva a enfrentar esta mudança radical .

Mesmo insatisfeito com o rumo de nosso país, confesso que, apesar do antigo sonho de fugir, nunca consegui imaginá-lo concretizado. A imigração legal sempre me pareceu algo inatingível ( e a ilegal inaceitável) , e por este motivo, nunca alimentei qualquer esperança. Mesmo quando soubemos da deficiência de mão-de-obra no Canadá há pouco mais de um ano, mantive o meu ceticismo. A imagem que fazia era de um processo longo, burocrático, quase impossível para pessoas comuns como nós.

Com o tempo, vendo a empolgação da Iris e lendo mais sobre o processo, comecei a acreditar que era possível. Hoje em dia acredito estar tão empolgado quanto ela com a possibilidade de mudança. Com a “proximidade” do fim do processo, passo a maior parte do tempo sonhando com a nova vida, em um novo país, mas às vezes bate um medo imenso de ter o nosso processo recusado, e tento pensar como seria continuar nossa vida aqui, depois de um tombo desses. Torço para que esta parte fique apenas na imaginação, e que tenhamos nosso processo aprovado, mas acho importante ter um “plano B” preparado (preciso pesquisar sobre antidepressivos, hehe).

Às vezes lembro dos meus tempos de Exército, quando jurei defender a honra, integridade e instituições deste país com o sacrifício da própria vida, e fico imaginando quantos brasileiros seriam capazes de tal sacrifício. Nossos representantes só trabalham em benefício próprio, votam aumento do próprio salário, utilizam os cartões corporativos para despesas pessoais, fazem repasses bilionários para ONGs fantasmas… Já o povo recebe cada uma das armações de Brasília passivamente, aceitanto calado cada novo golpe.

Nos anos 80, com o fim da ditadura, houve uma corrida desesperada para acabar com tudo que lembrasse os militares, inclusive as coisas boas do regime (queridos críticos, acalmem-se, não quero criar nova polêmica, fui militar, mas não estou defendendo a ditadura). Antigamente, estudávamos OSPB (Organização Social e Política Brasileira), Educação Moral e Cívica, e isso era bom, passava às crianças valores morais, apresentava os símbolos nacionais às crianças e ensinava a respeitar cada um deles. Crianças em forma cantando o Hino Nacional de seu país, o que isso tem de ruim? Formávamos e cantávamos o hino a cada manhã, hoje quando muito uma vez por semana…

Não defendo o patriotismo cego, mas acho que todos devemos ter orgulho, amor por nosso país. É certo que há muita hipocrisia, como vemos em muitos americanos, mas há também amor verdadeiro. O brasileiro perdeu isso. Hoje não conheço uma criança que conheça o Hino da Proclamação da República, por exemplo, se conhecem o refrão “Liberdade! Abre as asas sobre nós!”, certamente ouviram em algum samba, e não na escola. O brasileiro está sendo estimulado a “emburrecer”, a perder os vínculos com o país, com seus símbolos…

No nosso caso esse estímulo nos ajudou a buscar um novo lar, um país que reconheça o trabalho de seus cidadãos, que estimule seu crescimento, que os ampare em vez de massacrá-los como temos sido. Usando uma metáfora para descrever o que tenho sentido, me sinto como uma criança que só apanha de seus pais biológicos na expectativa de ser adotado por pais carinhosos, que possam me acolher. Estou cansado de pagar 40% do que ganho em impostos e ver esse dinheiro no lixo. Quero viver bem, quero ver o dinheiro dos meus impostos sendo investido, revertido em coisas boas.

Me sinto um herói! Com a violência a que somos expostos diariamente, voltar pra casa é sempre uma conquista. A corrupção daqueles em que deveríamos confiar nossa segurança, assim como a daqueles a quem confiamos nosso país, os “representantes do povo”, só fazem aumentar a sensação de anarquia. Cada um por si! Cansei de emoções fortes. Chega de aventuras.

Só queremos viver tranqüilamente.

Até a próxima!

Inversão de Valores

Artigo original publicado em 22/02/2008

Como tenho fama de rabugento, não poderia fazer minha estréia aqui no blog de outra forma,  a não ser reclamando.

Como ultimamente estou relax, apesar da espera angustiante pelo pedido de exames, que promete ainda durar um bom tempo, venho postergando a minha estréia, mas na segunda-feira a Globo conseguiu me irritar.

Na edição de segunda-feira do Jornal Nacional foi anunciada uma reportagem sobre a imigração para o Canadá, nada mais empolgante para alguém que há algum tempo sonha com isso, que ouvir um pouco mais… Então vem a decepção: em vez de falar da imigração legal e das possíveis formas de imigrar, a Globo prefere dar espaço para imigrantes ilegais, que em vez de se esconderem aparecem na televisão com ar de satisfação para passar uma mensagem de que é fácil ficar ilegal, que não há fiscalização, dando inclusive dicas, como o estudante, que mal atingiu a maioridade e já fala com naturalidade de como burla a lei, uma vergonha.

É bem verdade que a reportagem mencionou o sucesso daqueles que imigraram de forma legal, mas em vez de explicar como cada um deles imigrou, como foi o ínicio, a adaptação, inexplicavelmente resolveram dar o destaque aos infratores… Se bem que já deveria esperar por isso, afinal a mesma Globo teve como protagonista de uma de suas novelas a Sol, uma imigrante ilegal para os Estados Unidos.

Freqüentemente me decepciono com a mídia brasileira e seus valores invertidos. É bem verdade que o povo também tem culpa, afinal a mídia mostra o que o povo quer ver. É uma vergonha ver que aqui vivemos às avessas, se um policial morre numa operação, vira uma nota de rodapé; se o bandido morre, ele tem reportagem no horário nobre contando sua história e cobertura cinematográfica do enterro.  

Por que o filme Tropa de Elite fez tanto sucesso? Porque aqueles que ainda conseguem ver as coisas como deveriam ser, tiveram o gostinho de ver o bandido como bandido, sofrendo como bandido. Na vida real o bandido é o policial. Para a mídia, nas operações policiais só morre gente boa… Se morrem 50, eram 20 estudantes e 30 trabalhadores, mãe chorando na televisão, ônibus e pneus queimados. Não é possível que de 50 eles não consigam matar um bandido!

No filme Carandiru alguém conseguiu encontrar um bandido mau? Era todo mundo bom, maus eram os policiais que cometeram a chacina. Na minha opinião chacina é quando morre gente boa, aquilo lá foi FAXINA, e deveria ser lei, feita regularmente. Na verdade nem precisaria entrar polícia pra dar tiro, bastava não abrir as celas quando eles começassem a queimar colchões. Não está queimando o meu dinheiro? Dinheiro do meu imposto? Que queime junto!!!

Mesmo nós que ainda nos indignamos temos nossos deslizes. Na última vez em que fui assaltado, fui embora pensando “dei mole, não deveria estar com o celular à mostra…”, quando na verdade não deveria me preocupar com o meu celular, deveria me sentir seguro e usar as coisas que comprei com o meu dinheiro, como, quando e onde quisesse.  É assustador pensar como atualmente nossa vida vale pouco; o vagabundo chegou e me disse: ” me passa o celular ou eu tiro tua vida!”.

Já nos acostumamos a pensar na vítima como culpado… se uma pessoa morre em uma tentativa de assalto, a primeira coisa que nos vem a cabeça é “ele deve ter reagido”. Está tudo errado! Se sou agredido por um bandido ninguém abre a boca, se reajo e bato no vagabundo aparece um advogado maluco falando de direitos humanos, pra defender o safado e eu ainda vou ter que prestar serviço comunitário, doar cesta básica, só por me defender. Hoje só quem tem direito é bandido, e nós ficamos a mercê dessa situação.

Essa foi minha estréia. Em nosso blog, a Iris cuida do caderno de viagens e eu da coluna policial. Até a próxima.